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Balé Folclórico da Bahia (BFB). Espetáculo Herança
Sagrada
A Corte de Oxalá. 2015. Foto de Wendel Wagner
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Neste
post estudaremos como as sociedades se formam, como os indivíduos se relacionam
socialmente e a formação das classes sociais, na visão de teóricos
clássicos da Sociologia e os mais recentes.
Começaremos pelo trio
de teóricos clássicos: Karl Marx, Émile Durkheim e Max Weber. Veremos as ideias de autores mais
recentes: Norbert Elias e Pierre Bourdieu. Analisaremos o pensamento de cada um
deles sobre como vivemos e nos relacionamos uns com os outros.
I - Karl Marx - o Indivíduo e as Classes Sociais. A Teoria Marxista
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| Karl Marx (1818-1883) |
Karl Marx nasceu em Trier, antigo Reino da Prússia, atual Alemanha, em 5 de Maio de 1818 e morreu em Londres a 14 de Março de 1883. Era o filho mais novo de uma família judia de classe média.
Concluiu o doutorado em Filosofia em 1841. No ano seguinte tornou-se redator-chefe de um jornal da província de Colônia, na Alemanha, onde conheceu Friedrich Engels, durante visita deste à redação do jornal. Os dois vivenciaram as grandes transformações econômicas, políticas e sociais provocadas pela Revolução Industrial. De seus estudos nasceu a Teoria Marxista.
Em 24 de fevereiro de 1848, Marx e Engels publicaram o folheto O Manifesto Comunista. A obra é um breve resumo da Teoria Marxista, que se fundamenta na crítica radical ao Capitalismo e à exploração do trabalhador pelos donos do capital - a Burguesia.
Em 1867 Marx publicou o primeiro volume da sua obra prima - O Capital, resultado dos seus estudos no British Museum (Museu Britânico, em Londres). É um livro que trata principalmente de economia, e discute o que Marx chamou de teoria do valor, da mais-valia, da acumulação do capital.
Marx defende que o ser humano, além do resultado da evolução biológica da espécie, é um produto histórico em constante mudança, dependendo da sociedade, das condições e
do contexto social em que vive, o que lhe permite construir sua história e sua existência.
Diz que a capacidade do ser humanos se relacionar em sociedade trabalhando, aprendendo, construindo e inovando é a sua principal característica. Que ao produzir o que precisa para sobreviver, o ser humano elabora sua consciência, seu modo de pensar e conceber o mundo, que dependem das condições em que vive. Deste modo, a relação é mútua, ou seja, a sociedade produz o individuo e este produz a sociedade.
As Classes Sociais, Segundo Karl Marx
Ao analisar a sociedade capitalista e os indivíduos, Marx trata das relações entre as classes sociais, mas sem excluir a ideia do individuo como ser social, dizendo que os seres humanos constroem sua história dependendo das condições em que vive.
Segundo Marx, a economia capitalista tem apenas duas classes sociais: a) os donos do capital produtivo - a burguesia, a qual se apropria da mais-valia, constituindo-se na classe exploradora; b) os assalariados ou proletariado - que não são donos dos meios de produção e vendem sua força de trabalho aos donos do capital, por quem são explorados.
A Educação, Segundo Karl Marx
Com esses fundamentos teóricos do capitalismo acima descritos, Marx acreditava que a Educação era parte da superestrutura de controle usada pelas classes dominantes. Defendia a educação pública e gratuita para todas as crianças, que seria a solução para retirá-las do trabalho desumano nas fábricas. Criticava o currículo escolar e a forma como era ensinado. Defendia a educação técnica e industrial. Essas ideias tiveram impacto posterior na educação, especialmente a educação tecnológica, amplamente difundida em todos os países industrializados, até aos dias atuais.
II - Émile Durkheim. As Instituições e o Individuo
Durkheim nasceu na França em 1858, onde viveu até sua morte em 1917. Fundou a Escola Francesa de Sociologia, em 1887. Foi
influenciado pelo Positivismo do Pai da Sociologia, o
francês Augusto Comte. Dedicou-se a elaborar uma ciência que possibilitasse entender e interpretar os comportamentos coletivos, principalmente a nova sociedade que estava se formando após a Revolução Industrial e a Revolução Francesa. Elegeu o fato social como objeto de investigação da Sociologia, o novo campo científico surgido a partir dessas Revoluções. Fato social são todos os fenômenos que acontecem no interior da sociedade, desde que apresentem algum interesse social.
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| Durkheim (1858-1917) |
O Fato Social e a Consciência Coletiva
Durkheim compara a sociedade a um “corpo vivo”, em que cada órgão cumpre uma função. Daí o nome de metodologia funcionalista para seu método de análise. Parte da ideia de que o indivíduo é produto da sociedade. Logo, a sociedade sempre está acima dos indivíduos, com suas regras, normas, costumes e leis para garantir que não desapareça. Para tanto, apoia-se nas instituições sociais: a família, a escola, o Estado e seu aparato, a exemplo do Sistema Judiciário, que são a base da sociedade. As
normas e leis independem do individuo e controlam a todos, formando uma consciência coletiva, a
qual favorece a integração social.
Propositalmente,
Durkheim chama o fato social de “coisa” para ressaltar que ele é um objeto no
sentido científico, ou seja, algo que pode ser observado, definido e
explicado pelo cientista social. Diz que o fato social é uma “coisa” que exerce força de coerção sobre os sujeitos, independente de sua vontade ou ação individual. Portanto, os fatos sociais são exteriores, coercitivos e objetivos. Impõe-se diante da sociedade e se estabelece de forma a homogenizar e padronizar os comportamentos particulares, garantindo que sejam coletivos. Neste sentido, a primeira regra é considerar os fatos sociais como coisas, as quais são produtos da atividade humana.
A Divisão do Trabalho Social e a Formação das Classes Sociais, Segundo Durkheim
Os efeitos gerados pela Revolução Industrial eram assuntos discutidos por diversos estudiosos dos séculos XIX e
XX, incluindo-se os teóricos aqui citados. Durkheim analisa a função da divisão do trabalho, a qual tem como objetivo principal tornar a civilização possível. Para ele, a divisão de tarefas também passa a ser fonte de relação e interação social.
O teórico busca
explicar a modernidade a partir do conceito de “divisão do trabalho
social”. Discutia como a formação de um novo modelo de
trabalho, surgido com a Revolução Industrial, contribuiu para ativar a fragmentação social, fazendo surgir diferentes esferas
sociais ou classes sociais.
Para ele, a divisão do trabalho não
é específica do mundo econômico, podendo-se observar sua influência nas
regiões mais diferentes da sociedade. As funções políticas, administrativas,
judiciárias especializam-se cada vez mais. O mesmo ocorre com as funções
artísticas e científicas. É um tempo diferente daquele em que Filosofia era a única ciência existente. Ela fragmentou-se em muitas outras disciplinas especiais, e cada uma tem seu próprio objeto de estudo, seu método, seu espírito, dizia Durkheim.
III - Max Weber. A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. A Sociologia Compreensiva
Karl
Emil Maximilian Weber ou apenas Max Weber (1864-1920) foi um intelectual, jurista e economista alemão
considerado um dos fundadores da Sociologia, ao
lado de Augusto Comte Karl Marx e Émile Durkheim. É o criador do método da Sociologia
Compreensiva. Dedicou-se a analisar a nova sociedade que
se formava a partir da Revolução Industrial, a consolidação do capitalismo
industrial na Europa e sua
propagação pelo planeta.
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| Weber (1864-1920) |
A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo é a sua
obra mais destacada, na qual Weber investiga a influência
da religião, especialmente do Protestantismo, na formação do capitalismo
ocidental.
O Protestantismo, religião fundada pelo Padre Martinho Lutero em 1521 (século XVI), prega que os indivíduos devem se dedicar intensamente ao trabalho e não
condena a acumulação de riquezas, ao contrário do Catolicismo.
Para Weber, os fundamentos do Protestantismo favoreceram a consolidação do Capitalismo
nos países onde sua influência era grande. Weber aplica o método da Sociologia
Compreensiva, demonstrando que a forma como os sujeitos captavam o mundo (sua
ética religiosa) influenciou diretamente suas ações na consolidação do Capitalismo.
Para Weber, a racionalização do trabalho – e de outras esferas da vida – é um traço
definitivo que marca nosso tempo. O avanço da ciência e do capitalismo moldaram
o mundo de forma que todos os espaços coletivos, desde os políticos até os
corporativos, foram burocratizados.
A burocracia de que fala Weber é vista sob um ponto de
vista positivo, pois significa a organização racional e eficiente das
atividades coletivas, onde cada um exerce sua função específica e previamente
estabelecida de forma detalhada.
O Que é a Sociologia Compreensiva
A Sociologia Compreensiva ocupa-se de compreender o sentido que os sujeitos atribuem as suas próprias ações e o significado dessas ações em um contexto social mais amplo. Admite que as ações em si não têm um sentido próprio, mas o sentido que nós, enquanto sujeitos modernos, atribuímos a elas. Baseia-se
na ideia de que ao estudar as ações sociais o sociólogo deve dar especial
atenção à motivação dos indivíduos e grupos.
Assista a entrevista com Max Weber, produzida por alunos do ensino médio:
https://www.youtube.com/watch?v=_8IN6cvccAY
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| Norbert Elias |
IV - Norbert Elias (1897-1990). O Processo Civilizatório
Norbert
Elias foi um sociólogo judeu-alemão que foi obrigado a deixar seu país durante a
Segunda Guerra Mundia (1939-1945), fugindo da perseguição nazista. Na
sua obra
O Processo Civilizatório, traça no primeiro
volume, publicado em 1939, os acontecimentos históricos do habitus europeu,
ou seja, a estrutura psíquica individual moldada pelas atitudes sociais.
Propõe
pensar a relação indivíduo e sociedade, bem como o conceito de configuração: significa
que a sociedade é formada e representada pela interdependência entre os
indivíduos, através das três instituições: família, escola e Estado (Governo).
No seu livro A Sociedade dos Indivíduos considera que somente por meio das relações os indivíduos adquirem características humanas, como falar, pensar e amar, e não isoladamente. Sua maior contribuição para a Sociologia foi o desenvolvimento da tese de que todas as grandes transformações políticas levam a profundas modificações nos comportamentos individuais e nas atitudes morais, resultando na pacificação social.
Seus trabalhos foram reconhecidos nos anos 70 e se destacam por abordar a relação entre poder, comportamento e emoção, abarcando conhecimentos sociológico, psicológico, antropológico e histórico. Elias demonstrou como os padrões europeus pós-medievais de violência, comportamento sexual, funções corporais, etiqueta à mesa e formas de discurso foram importantes nas interconexões sociais pós-modernas.
V - Pierre Bourdieu (1930-2002). A Teoria do Processo Civilizador
Pierre Félix Bourdieu foi um sociólogo e filósofo francês, de origem campesina. Nasceu em 1930 no vilarejo de Denguin, no
sudoeste da França, e faleceu em 2002, em Paris, capital francesa.
Apresenta uma abordagem
original para o estudo da sociedade e as relações humanas, fazendo ligações com a Psicologia, a Sociologia e a História, afirmando na sua Teoria do Processo Civilizador, que o
comportamento civilizado está ligado à organização
das sociedades ocidentais em
Estados Nacionais.
Desenvolveu
seu pensamento a partir dos seguintes pontos: as linhas gerais da Sociologia;
o conceito de civilização; a relação entre estrutura psíquica e formação
dos Estados Nacionais; a difusão do processo civilizador europeu através da
colonização, associando-o à colonização europeia, abrindo novas
perspectivas historiográficas e de construção de objetos de estudo sobre
a expansão europeia.
Suas reflexões coincidem com Max
Weber, Karl Marx e Norbert Elias. Suas
pesquisas exerceram forte influência nos ambientes pedagógicos nas décadas de
1970 e 1980. Para Bourdieu, a escola é
um espaço de reprodução de estruturas sociais e de transferência de capitais de
uma geração para outra. É nela que o legado econômico da família transforma-se em capital cultural.
Estratificação Social. Como são Formadas as Classes Sociais
A sociedade capitalista é dividida em
classes, e tem uma estrutura histórica que se relaciona com os Grandes
Descobrimentos Marítimos do século XV, A Revolução Francesa, no século XVIII e
a Revolução Industrial, no século XIX.
Sua estratificação social é definida
pelas relações e estruturas de apropriação econômica e dominação politica. As
classes sociais expressam a forma como as desigualdades se estruturam na
sociedade capitalista. As classes se distinguem tambem pela religião, a honra, a
ocupação, e a hereditariedade, embora não sejam
elementos tão fortes como
acontece nas sociedades de castas
e de estamentos.
Texto adaptado de: Tomazzi,Nelson Dacio. Sociologia para o ensino médio, vol. único. 3a. Edição. São Paulo: Saraiva, 2013
Atividades
Neste estudo usaremos algumas estratégias como: questionários, testes, entrevistas e debates com os pensadores. Forme uma equipe de até 8 integrantes, para apresentar um entrevista com os cinco pensadores aqui estudados.
Escolha um teórico, que será representado por um membro. O teórico escolhido será entrevistado pelos demais membros da equipe, que debaterão as ideias centrais do pensador escolhido. Os demais membros da equipe serão os debatedores, que juntamente com o entrevistado, deverão demonstrar conhecimento sobre o tema.
Acesse a entrevista com Max Weber, encenada por alunos do Ensino Médio.
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