segunda-feira, 6 de junho de 2016

Sociologia. Sociedade e Classes Sociais. K. Marx, Émile Durkheim, Max Weber, Norbert Elias e Pierre Bourdieu. Atividades



Balé Folclórico da Bahia (BFB). Espetáculo Herança Sagrada  
A Corte de Oxalá.  2015. Foto de Wendel Wagner

Neste post estudaremos como as sociedades se formam, como os indivíduos se relacionam socialmente e a  formação das classes sociais, na visão de teóricos clássicos da Sociologia e os mais recentes. 

Começaremos pelo  trio de teóricos clássicos: Karl Marx, Émile Durkheim e  Max Weber. Veremos as ideias de autores mais recentes: Norbert Elias e Pierre Bourdieu. Analisaremos o pensamento de cada um deles sobre como vivemos e nos relacionamos uns com os outros. 

I - Karl Marx - o  indivíduo e as classes sociais. teoria marxista

Karl Marx  (1818-1883)
Karl  Marx nasceu em Trier, antigo  Reino da Prússia, atual Alemanha,   em 5 de Maio de 1818 e morreu em Londres a 14 de Março de 1883. Era o filho mais novo de uma família judia de classe média. 

Concluiu o  doutorado  em Filosofia em 1841.  No ano seguinte tornou-se redator-chefe de um jornal da província de Colônia,  na Alemanha, onde conheceu Friedrich Engels, durante visita deste à  redação do jornal.  Os dois vivenciaram as grandes transformações econômicas, políticas e sociais provocadas  pela Revolução Industrial. De seus estudos nasceu a Teoria Marxista.


Em 24 de fevereiro de 1848, Marx e Engels publicaram o folheto O Manifesto Comunista. A obra é um breve resumo da Teoria Marxista, que se  fundamenta  na crítica radical ao Capitalismo e à exploração do trabalhador pelos donos do capital - a Burguesia.  Em 1867 Marx  publicou o primeiro volume da sua obra prima - O Capital resultado dos seus estudos no British Museum (Museu Britânico, em Londres). É um livro que trata  principalmente de economia, e discute o que  Marx chamou de teoria do valor, da mais-valia, da acumulação do capital. 

Marx defende que o ser humano, além do resultado da evolução biológica da espécie, é um produto histórico em constante mudança, dependendo da sociedade, das  condições e
do contexto social em que vive, o que lhe permite construir  sua história e sua existência. 

Diz que a capacidade do ser humanos  se relacionar em sociedade trabalhando, aprendendo, construindo e inovando é a sua principal característica. Que ao produzir o que precisa para sobreviver, o ser humano elabora sua consciência, seu modo de pensar e conceber o mundo, que dependem das condições em que vive.  Deste modo, a relação é mútua, ou seja,  a sociedade produz o individuo e este produz a sociedade. 

As classes sociais,  segundo Karl Marx 


Ao analisar a sociedade capitalista e os indivíduos,  Marx trata das relações entre as classes sociais,  mas sem excluir a ideia do individuo como ser social, dizendo que os seres humanos constroem sua história dependendo das condições em que vive.   
Segundo  Marx, a economia capitalista tem apenas duas classes sociais: a) os donos do capital produtivo - a burguesia, a qual   se apropria da mais-valia, constituindo-se na classe exploradora; b) os assalariados ou proletariado - que não são donos dos meios de produção e vendem sua força de trabalho aos donos do capital, por quem são explorados.

A Educação,  Segundo Karl Marx


Com  esses fundamentos  teóricos do capitalismo acima descritos,  Marx acreditava que a Educação era parte da superestrutura de controle usada pelas classes dominantes. Defendia a educação pública e gratuita para todas as crianças,  que seria a solução para retirá-las do trabalho desumano  nas fábricas. Criticava  o currículo escolar  e a forma como era ensinado. Defendia a educação técnica e industrial. Essas ideias tiveram impacto posterior na educação, especialmente  a educação tecnológica, amplamente difundida  em todos os países industrializados, até aos dias atuais.

II -  Émile Durkheim. As instituições e o individuo 


Durkheim  nasceu na França em 1858, onde viveu até sua morte em 1917. Fundou a  Escola Francesa de Sociologia, em 1887Foi  influenciado pelo Positivismo do Pai da Sociologia, o francês Augusto Comte. Dedicou-se  a elaborar uma ciência que possibilitasse entender e interpretar os comportamentos coletivos, principalmente a  nova sociedade  que estava se formando após Revolução Industrial e a Revolução Francesa. Elegeu  fato social como objeto de investigação da Sociologia, o  novo campo científico surgido a partir dessas Revoluções. Fato social  são  todos os fenômenos que acontecem no interior da sociedade,  desde  que apresentem algum interesse social. 
Durkheim (1858-1917)

 O  fato social e a consciência coletiva

Durkheim compara a sociedade a um “corpo vivo”, em que cada órgão cumpre uma função. Daí o nome de metodologia funcionalista para seu método de análise.  Parte da ideia de que o indivíduo é  produto da sociedade. Logo, a sociedade sempre está acima dos indivíduos, com suas regras, normas, costumes e leis para garantir que não desapareça. Para tanto, apoia-se  nas instituições sociais: família, a escola, o Estado e  seu aparato, a exemplo do Sistema Judiciário, que são a base da sociedade.  As normas e leis independem do individuo e controlam a todos, formando uma consciência coletiva, a qual favorece a integração social. 


Propositalmente, Durkheim chama o fato social de “coisa” para ressaltar que ele é um objeto no sentido científico,  ou seja,  algo que pode ser observado, definido e explicado pelo cientista social.   Diz que o fato social é uma “coisa” que exerce força de coerção sobre os sujeitos, independente de sua vontade ou ação individual.  Portanto, os fatos sociais são exteriores, coercitivos e objetivos. Impõe-se   diante  da sociedade e se estabelece de forma a homogenizar e padronizar os comportamentos particulares, garantindo que sejam coletivos.  Neste sentido, a  primeira regra  é considerar os fatos sociais como coisas, as quais  são   produtos da atividade humana. 


A divisão do trabalho social e a formação das classes sociais, segundo Durkheim

Os efeitos gerados pela Revolução Industrial eram assuntos discutidos por diversos estudiosos dos séculos XIX e XX, incluindo-se  os teóricos aqui citados.   Durkheim analisa a função da divisão do trabalho, a qual  tem como objetivo principal tornar a civilização possível.  Para ele,  a divisão de tarefas também passa a  ser fonte de relação e interação social.   O teórico busca explicar a modernidade a partir do conceito de “divisão do trabalho social”.  Discutia como a formação de um novo modelo  de trabalho, surgido com a Revolução Industrial, contribuiu para  ativar a fragmentação social, fazendo surgir diferentes  esferas sociais ou classes sociais. 

Para ele, a divisão do trabalho não é específica do mundo econômico, podendo-se observar sua influência nas regiões mais diferentes da sociedade. As funções políticas, administrativas, judiciárias especializam-se cada vez mais. O mesmo ocorre com as funções artísticas e científicas. É um tempo diferente daquele em que Filosofia era a única ciência existente. Ela fragmentou-se em muitas outras disciplinas especiais, e cada uma tem seu próprio  objeto de estudo, seu método, seu espírito, dizia  Durkheim.

III - Max Weber. A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo.A Sociologia Compreensiva

Karl Emil Maximilian Weber  ou apenas Max Weber (1864-1920)  foi um intelectual, jurista e economista alemão considerado um dos fundadores da Sociologia, ao lado de  Karl Marx e Émile Durkheim.   É o criador do método da Sociologia Compreensiva. Dedicou-se a analisar a nova sociedade que se formava a partir da Revolução Industrial, a consolidação do capitalismo industrial na Europa e sua propagação pelo planeta.


Weber (1864-1920)
A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo  é a sua obra mais destacada, na qual   Weber investiga a influência da religião, especialmente do Protestantismo, na formação do capitalismo ocidental.  O Protestantismo, religião fundada pelo Padre Martinho Lutero em 1521 (século XVI), prega que os indivíduos devem se dedicar intensamente ao trabalho e não condena a acumulação de riquezas, ao contrário do Catolicismo.  

Para Weber, os fundamentos do Protestantismo favoreceram a consolidação do Capitalismo nos países onde sua influência era grande. Weber aplica o método da Sociologia Compreensiva,  demonstrando que a forma como os sujeitos captavam o mundo (sua ética religiosa) influenciou diretamente suas ações na consolidação do Capitalismo. 

Para Weber, a racionalização do trabalho –  e de outras esferas da vida – é um traço definitivo que marca nosso tempo. O avanço da ciência e do capitalismo moldaram o mundo de forma que todos os espaços coletivos, desde os políticos até os corporativos, foram burocratizados. A burocracia de que  fala Weber é vista sob um ponto de vista positivo, pois significa a organização racional e eficiente das atividades coletivas, onde cada um exerce sua função específica e previamente estabelecida de forma detalhada.

O que é  a sociologia compreensiva

A Sociologia Compreensiva ocupa-se de compreender o sentido que os sujeitos atribuem as suas próprias ações e o significado dessas ações em um contexto social mais amplo. Admite  que as ações em si não têm um sentido próprio, mas o sentido que nós, enquanto sujeitos modernos, atribuímos a elas.  Baseia-se na ideia de que ao estudar as ações sociais o sociólogo deve dar especial atenção à motivação dos indivíduos e grupos. 
Assista a entrevista com Max Weber, produzida por alunos do ensino médio:
https://www.youtube.com/watch?v=_8IN6cvccAY
Norbert  Elias

IV -  Norbert Elias (1897-1990). O Processo Civilizatório

Norbert Elias foi um  sociólogo judeu-alemão que foi obrigado a deixar seu país durante a Segunda Guerra Mundia (1939-1945), fugindo da perseguição nazista.  Na sua obra O Processo Civilizatório, traça no primeiro volume,  publicado em 1939, os acontecimentos históricos do habitus europeu, ou seja, a estrutura psíquica individual moldada pelas atitudes sociais.  Propõe pensar  a relação indivíduo e sociedade, bem como o conceito  de configuração: significa que  a sociedade é formada e representada pela interdependência entre os indivíduos, através das  três instituições:  família, escola e Estado (Governo). 

No seu livro A Sociedade dos Indivíduos considera que somente por meio  das relações os indivíduos adquirem características humanas, como falar, pensar e amar, e não isoladamente.   Sua maior contribuição para a Sociologia foi o desenvolvimento da tese de que todas as grandes transformações políticas levam a profundas modificações nos comportamentos individuais e nas atitudes morais, resultando na pacificação social. 

Seus trabalhos  foram reconhecidos nos anos 70 e  se destacam por abordar  a relação entre poder, comportamento e emoção, abarcando conhecimentos sociológico, psicológico, antropológico e histórico. Elias demonstrou como os padrões europeus pós-medievais de violência, comportamento sexual, funções corporais, etiqueta à mesa e formas de discurso foram importantes  nas  interconexões sociais pós-modernas. 

V -  Pierre Bourdieu (1930-2002). A Teoria do Processo Civilizador


Pierre Félix Bourdieu foi um sociólogo  e filósofo francês, de origem campesina. Nasceu em 1930 no vilarejo de Denguin, no sudoeste da França,  e faleceu em 2002, em Paris, capital francesa.

Apresenta uma abordagem original para o estudo da sociedade e as relações humanas,  fazendo ligações com a Psicologia, a Sociologia e a História, afirmando na sua  Teoria do Processo Civilizador,   que  o comportamento civilizado está  ligado à organização das sociedades ocidentais em Estados Nacionais.   

Desenvolveu seu pensamento  a partir  dos seguintes pontos: as linhas gerais da Sociologia;  o conceito de civilização;  a relação entre estrutura psíquica e formação dos Estados Nacionais; a difusão do processo civilizador europeu através da colonização, associando-o à  colonização europeia, abrindo novas perspectivas historiográficas e de construção de objetos de estudo sobre a  expansão europeia. 

Suas reflexões coincidem com  Max Weber, Karl Marx e Norbert Elias. Suas pesquisas exerceram forte influência nos ambientes pedagógicos nas décadas de 1970 e 1980.  Para Bourdieu, a escola é um espaço de reprodução de estruturas sociais e de transferência de capitais de uma geração para outra. É nela que o legado econômico da família transforma-se em capital cultural.

Estratificação social. Como são formadas as classes sociais

A sociedade capitalista é dividida em classes, e tem uma estrutura histórica que se relaciona com os Grandes Descobrimentos Marítimos do século XV, A Revolução Francesa, no século XVIII e a Revolução Industrial, no século XIX. 

Sua estratificação social é definida pelas relações e estruturas de apropriação econômica e dominação politica. As classes sociais expressam a forma como as desigualdades se estruturam na sociedade capitalista. As classes se distinguem tambem pela religião, a honra, a ocupação, e a hereditariedade, embora não sejam  elementos tão fortes como  acontece  nas sociedades de castas e de estamentos. 

Atividades


Neste estudo usaremos algumas  estratégias, como questionários, testes, entrevistas e debates  com os pensadores. Forme uma equipe com até 8 integrantes, para encenar um debate  com os cinco pensadores aqui estudados. Escolha o teórico,o  qual abrirá o debate apresentando-se e resumindo suas ideias centrais. Os demais membros serão os debatedores, que deverão demonstrar conhecimento sobre o tema

Acesse a entrevista com Max Weber, encenada por  alunos do Ensino Médio

https://www.youtube.com/watch?v=_8IN6cvccAY
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Bibliografia      Tomazzi,Nelson Dacio. Sociologia para o ensino médio, vol. único. 3a. Edição. São Paulo: Saraiva, 2013
Sites consultados
Norbert Elias
História e história. Artigo de Flávio Carreiro de Santana e Luíra Freire Monteiro
http://www.historiaehistoria.com.br/materia.cfm?tb=artigos&id=52

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