sábado, 17 de agosto de 2013

As Fábulas: de onde elas vêm ? A galinha dos ovos de ouro. A Cigarra e a Formiga. O tigre e a raposa


As Fábulas
As fábulas são narrativas curtas, que   transmitem uma lição de moral. As personagens das fábulas são geralmente animais, que assumem características humanas representando certas atitudes e comportamentos próprios dos homens: o egoísta, o ingênuo, o espertalhão, o vaidoso, o mentiroso etc., com o objetivo de ensinar  valores e comportamento.  A fábula se divide em 2 partes: 1ª parte- a história (o que aconteceu); 2ª parte- a moral (o significado da história). 

ORIGEM: DE ONDE VÊM AS FÁBULAS?

As fábulas são criações muito antigas e faziam parte da tradição oral dos povos, sendo transmitidas de boca a boca, de geração em geração,  em locais públicos, como praças, festas populares ou salões de baile da época. O primeiro fabulista de renome foi  um escravo grego chamado  Esopo, que viveu no século VI  a. C. Para os gregos , ele é o fundador da fábula. 
Fabulista é uma pessoa que  conta ou escreve  fábulas, com a intenção de  ensinar, aconselhar, convencer, divertir,  criticar e, às vezes, fazer alguém desistir de um propósito ruim ou que não lhe seja favorável. 

Muitos escritores dedicaram-se às fábulas, mas três ficaram mundialmente famosos:o grego Esopo (século VI a.C.),o latino Fedro (15 a.C. - 50 d.C.) e o francês Jean de La Fontaine (1621 - 1695). No Brasil,Monteiro Lobato (século XX) foi quem as recriou. Millôr  Fernandes é um escritor carioca que recriou as antigas fábulas de Esopo e La Fontaine, de forma satírica e engraçada. 
Resumindo: A fábula é um texto narrativo onde as personagens, na maioria das vezes, são animais. Ela transmite como mensagem  uma lição que deve ser relacionada ao comportamento humano. No final  vem a expressão:  moral da história. 
 A seguir, conheça a famosa fábula de autoria do grego Esopo: A Galinha dos Ovos  de Ouro. 

A GALINHA  DOS  OVOS  DE  OURO
Um camponês e sua esposa possuíam uma galinha, que todo dia sem falta, botava um ovo de ouro.  Supondo que dentro dela deveria haver uma grande quantidade de ouro, eles  a sacrificaram, para enfim pegar tudo de uma só vez. 
Então, para surpresa dos dois, viram que a ave  em nada era diferente das outras galinhas.  Assim, o casal de tolos, desejando enriquecer de uma só vez, acabou  por perder o ganho diário que já tinham assegurado.
Autor: Esopo
Moral da História:
excesso de ambição, leva à precipitação e, quem tudo quer tudo perde.

Vamos praticar ? Responda as questões abaixo: 
1) O tema  principal  da história é:     
a.  ( ) esperteza          b.  ( ) ganância      c. ( ) ignorância  d. ( ) maldade
2)  O fazendeiro acreditou que dentro da galinha havia:                   
a. ( ) ouro     b. ( ) dinheiro          c. ( ) prata          d. ( ) um grande tesouro
3) O texto “A Galinha dos ovos de ouro” é :                                     
a. ( ) uma carta   b. ( ) um conto de fadas   c. ( ) uma fábula 
d. ( ) um  anúncio   4) Quem é o autor dessa fábula e qual o seu país? 

Conheça outras fábulas: 
A Cigarra e a Formiga

A formiga trabalhou
durante o verão 
A cigarra passou todo o verão cantando, juntando seus grãos. 

Quando chegou o inverno, a cigarra veio à casa da formiga pedir que lhe desse o  que comer. A formiga então perguntou a ela:

- E o que é que você fez durante todo o verão?

- Durante o verão eu cantei – disse a cigarra.

A Cigarra cantando, enquanto
a formiga  trabalha
E a formiga respondeu:

- Muito bem, pois agora dance!

Autor: Esopo. Recontada por  Jean La Fontaine
Adaptação da fonte: ROCHA, Ruth. Fábulas de Esopo. São Paulo: FTD, 1993.
Cigarra

Moral da História:  
Devemos  cumprir nossas obrigações, para  evitar tristezas  e perigos. 
Diz o provérbio: primeiro a obrigação, depois a devoção. 

Vamos praticar ? 1) Qual é  o título dessa fábula?          2) Quantos e quais são seus personagens  ?    3)  Você costuma fazer suas tarefas escolares antes de ir brincar ou assistir TV ? Compare suas atitudes com as dos personagens dessa história.   
Formigas devorando as plantas
4) Você gostou do final da história?  Que defeitos e qualidades você observou nos personagens ?   Tente escrever  um final diferente, de acordo com o seu entendimento e suas idéias.  Não se esqueça de ilustrar a história com desenhos.

O tigre e a raposa

Em um dia de chuva, um tigre corria à procura de abrigo, quando encontrou uma raposa que estava toda folgada em sua toca. O tigre perguntou:
__Dona raposa, será que eu poderia ficar aí com a senhora?
A raposa foi abrindo a porta, pois o tigre realmente estava todo molhado, mas pensou melhor e disse, esnobando-se:
__Rá, rá, rá!!! É claro que não sou estúpida! De onde você tirou essa idéia?
Ela ria tanto do estado do tigre que ele ficou uma fera, ou melhor, já era uma... O animal então, muito bravo, falou:
Tigre
__Não me obrigue a ficar violento!
Raposas
Nesse instante, a toca que estava cai, não cai, foi ao chão. A raposa ficou numa situação de dar dó. Sem proteção e com um tigre ali por perto, o melhor era dar o fora rapidinho...
Moral da história: Quem ri por último, ri melhor.

Provérbios  -  Provérbios são  frases curtas e populares, que trazem um ensinamento moral. Exemplo:

Quem tudo quer nada tem.

Você conhece outros provérbios ? Pergunte aos familiares e amigos. Escreva aqueles que você mais gostar, no seu caderno. 

Vamos praticar ?   Peça teatral com fábulas. 

Forme uma  dupla. Escolha  uma das   fábulas.  Cada  dupla  apresentará  para a turma a sua fábula, destacando: a) o título    b) nome dos personagens; c)  resumo do enredo da história.

Você pode  fazer uma bela apresentação teatral  usando fábulas

Sugerimos  a  construção coletiva   de  um texto para  apresentação de uma peça teatral, que  será a reescrita de uma fábula (todos os alunos da turma,   juntos com o professor).  
Sugestão: a galinha dos ovos de ouro. Mãos à obra !  Sucesso ! 

Referências
Origem das fábulas
http://pt.scribd.com/doc/15014403/Significado-das-Fabulas
ROCHA, Ruth. Fábulas de Esopo. São Paulo: FTD, 1993.
Todas as imagens são do Google. 

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Folclore brasileiro: literatura de cordel. Dramatizações com as lendas da Vitória-Régia e da Matinta Perêra

Textos de cordel pendurados no cordão
nas feiras livres

“O cordel veio da Europa no fim do século passado. No Nordeste do Brasil ele foi bem implantado e os poetas conseguiram com ele bom resultado”. José Francisco Borges, poeta 

O cordel é um gênero de poesia popular que surgiu da oralidade e depois impressa em folhetos rústicos. Não é uma invenção nossa.  Veio de Portugal, onde os poetas eram chamados trovadores, que quando declamavam eram acompanhados por uma viola tocada por eles mesmos.

O trovadorismo  surgiu no século XII e  marcou a literatura da  Idade Média na Europa durante o feudalismo. Estendeu-se  até o século XV, com a chegada do Renascimento. Além de Portugal e outros países, também na França e Espanha, o trovadorismo era apresentado ao povo cantando o amor, seus costumes e acontecimentos da época. 
No Brasil, ganhou o nome de cordel,  porquê os folhetos ficavam pendurados em cordões em forma de varal, nos locais de venda, principalmente nas feiras livres.   

A planta aquática Vitória-Régia
No início, os temas do cordel estavam ligados à divulgação de histórias muito antigas, que vinham encantando os povos há séculos, transmitidos oralmente de uma geração à outra. 
Histórias como a da Princesa Magalona, filha do rei de Nápoles, apaixonada pelo conde Pierre, que vive as maiores aventuras e desventuras até se reencontrar com o noivo. 

Ou de Carlos Magno e os Doze Pares de França, narrativa com muitas batalhas que se espalhou por todo o sertão nordestino e inspirou nossos cantadores.

Dos antigos romances ou novelas de amor e de cavalaria, das narrativas de guerras e conquistas marítimas, o cordel passou  a retratar acontecimentos do cotidiano. Quando não havia jornais, rádio ou televisão, essa poesia popular ocupou espaço por meio de cantorias, e mais tarde, escrita nos  folhetos impressos em tipografias rústicas e vendidos nas feiras.

O cordel virou um dos meios mais importantes de divulgação dos fatos que despertavam o interesse do povo. Podiam ser os feitos de Lampião, Maria Bonita e outros cangaceiros famosos. O registro de secas e enchentes, vaqueiros e vaquejadas, santos e milagres, crimes etc.

Vamos conhecer a planta aquática chamada Vitória Régia

Bebês deitados  numa folha 
da  Vitória Régia
A planta foi assim  batizada pelos ingleses,  em homenagem à Rainha Vitória, que governou a Inglaterra por mais de 67 anos, de 1837 até 1901, quando morreu.
Suas folhas podem atingir 2,5 metros de diâmetro e sustentar peso de até 50 quilos. 

A planta tem  espinhos que a protegem  do ataque de bichos. As folhas que aparecem na superfície de rios e lagos podem pertencer a uma única planta, com raízes bem fincadas na terra. 

Parece que flutua na água, mas isso não é verdade. Trata-se de uma planta enraizada, só a folha flutua. E para se desenvolver bem, ela precisa estar em águas com profundidade média de um metro.

A Lenda da Vitória Régia 

A bela flor da Vitória-régia
Conhecida  como irupê, aguapé ou jaçançã, a  lenda da vitória-régia é de origem indígena tupi-guarani e muito popular na Amazônia. 

Com essa lenda, os pajés explicavam para os índios de sua tribo a origem desta bela planta aquática.

Diz a lenda, que quando a Lua (um deus para os índios) se punha atrás das montanhas ficava namorando belas moças indígenas. Toda vez que a Lua se escondia, levava consigo uma linda índia que era transformada em estrela.

Numa tribo tupi-guarani vivia uma índia chamada Naiá. O sonho dela era também ser levada pela Lua e transformada numa estrela. 

Toda noite, Naiá subia no alto das montanhas na esperança de ser notada pela Lua. Porém, por mais que ela subisse e tentasse aparecer, nada acontecia.   

Numa linda e iluminada noite, Naiá viu o reflexo da Lua no lago. Acreditando que a Lua se aproximava para levá-la, atirou-se nas águas e desapareceu.

A Lua, que ficou impressionada com o ocorrido, resolveu transformar a índia numa linda planta aquática: a vitória-régia. É por isso, explica a lenda indígena, que esta planta apresenta lindas flores que abrem somente à noite, exalando um  delicioso perfume.




Vamos ver essas   lendas na  Poesia de Cordel para você dramatizar.

A  LENDA  DA  VITÓRIA-RÉGIA

Foi no rio amazonas
Que esta lenda nasceu:
Uma índia apaixonou-se
Por jaci e se perdeu,
E numa noite de lua
Na água desapareceu.

E surgiu uma linda flor,
Que refletindo o luar,
Com sua folha enorme
É a rainha do lugar,
Flutuando sobre as águas,
Vivendo a nos encantar

A Lenda da Matina Perêra  - Misteriosa criatura, ora pássaro, ora gente,  a Matina  Perêra vive nas matas.  Trata-se de uma variação da lenda do Saci-Pererê e da Caipora. 

Embora seja muito comum  nos estados da Região Norte, essa lenda é conhecida em todo o Brasil, com vários nomes: Matinta Pereira, Matinta, Mati-tapereira, Matim-taperê, Maty-Taperê, etc.  

Origem Provável: é um Mito comum  nas Regiões Sul, Centro-Oeste, Norte e Nordeste do Brasil. 

    Lenda da  Matina Perêra 

A Matinta Perêra é uma velha vestida de preto, com os cabelos caídos no rosto. Tem hábitos noturnos, preferindo as noites sem luar.
Quando sente a presença de alguma pessoa ela dá um assobio estridente, dando a impressão de estar gritando o seu próprio nome: Matinta Perêra. O seu aparecimento causa verdadeiro pavor às pessoas.

A Matinta Perêra pode aparecer de diversas formas, transformando-se quase sempre em coruja, apesar de aparecer também na forma de outros animais.

Para se descobrir quem é a Matinta Perêra,  basta que a pessoa que ouvir o seu assobio convide-a para vir à sua casa pela manhã para tomar café. 
Na manhã seguinte, a primeira pessoa que chegar pedindo café ou tabaco é a Matinta Perêra. Acredita-se que a Matinta Perêra possui poderes sobrenaturais. Seus feitiços são capazes de causar sérios prejuízos às suas vítimas, principalmente com respeito à saúde, causando-lhes fortes dores físicas e até a morte.

A Lenda da Matina Perêra              (poesia  de cordel para você dramatizar)

Sou a Matinta Perera,
De assobio prolongado,
Afugento os animais
Do mau caçador armado.
Às vezes, eu sou mulher;
Outras, pássaro encantado.


Ninguém nunca me avistou,
Caçadores só escutam
O bater das minhas asas,
E facilmente se assustam.
Saem em louca disparada,
Pois se não saem, embiruta.


Vamos praticar ? Junte seus colegas. Forme grupos ou duplas  e faça  belas  dramatizações com  essas duas lendas contadas em forma de poesia de cordel. Sucesso! 

Amplie seus conhecimentos. Veja também:

Folclore e Cultura Brasileira. Lendas indígenas: a lenda do curupira ou da caipora e a lenda do milho. Quadrinhas e adivinhações. Atividades


Peça Teatral: O Curupira e Seus Amigos da Floresta Unidos pelo Meio Ambiente. Atividades



22 de Agosto Dia do Folclore. Personagens lendários e mitológicos do folclore brasileiro. Festas e Artes populares


O Que é Folclore? Ditos Populares. Parlendas Ilustradas. Superstições. Adivinhas. Cantigas de Roda. Danças Folclóricas. Atividades

Observação:  deletei sem querer o texto original. Tentei reconstruir. Mil desculpas. Obrigada. 

Referências
Livro lendas e mitos do Brasil   em cordel   autora: Nireuda Longobardi
Literatura de Cordel na Internet.  FalaCultura  Site do poeta Augusto de Campos 
 http://falacultura.com/dica-de-site/
Poetas e cantadores. Casa de Rui Barbosa
http://www.casaruibarbosa.gov.br/cordel/poeta.html
http://www.lendo.org/o-que-e-literatura-de-cordel-autores-obras/
Lenda da Matina Perera. Site no Amazonas é Assim
http://noamazonaseassim.com.br/a-lenda-da-matinta-perera/
http://sitededicas.ne10.uol.com.br/folk_matinta.htm

A  planta vitória regia  http://redeglobo.globo.com/globoecologia/noticia/2011/05/tipica-da-amazonia-vitoria-regia-encanta-pesquisadores-e-turistas.html

Trovadorismo